Prosa Online

O Prosa Online é, como o nome diz, um ambiente virtual para prosear vários assuntos que interagem socialmente pelas redes, com finalidade de compartilhar conhecimentos, ideias, experiências, arte, música, cinema, gramática, literatura, viagens, livros, lugares, pessoas, culturas... perspectivas que sempre agradaram sua idealizadora: Cíntia Luz, ferrenha consumidora de tudo o que está aqui ou quase tudo.


quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Eu chovo!


Desejo a você: fruto do mato, cheiro de jardim, namoro no portão, domingo sem chuva, segunda sem mau humor, sábado com seu amor, crônica de Rubem Braga, filme antigo na TV, ter uma pessoa especial, e que ela goste de você, música de Tom com letra de Chico, frango caipira em pensão do interior, ouvir uma palavra amável, ter uma surpresa agradável, noite de lua cheia, rever uma velha amizade, ter fé em Deus, rir como criança, ouvir canto de passarinho, sarar de resfriado, formar um par ideal, tomar banho de cachoeira, pegar um bronzeado legal, aprender um nova canção, esperar alguém na estação, queijo com goiabada, pôr-do-sol na roça, uma festa, um violão, uma seresta, recordar um amor antigo, ter um ombro sempre amigo, uma tarde amena, tocar violão para alguém, ouvir a chuva no telhado, vinho branco, bolero de Ravel e muito carinho meu. (CDA)

Lê com Crê do menino-queijo e seu amigo vinho


Feliz Natal!


TIM BURTON PARA PRESIDENTE!

Eu sempre gostei do cineasta Tim Burton, criativo com seu jeito meio bizarro e com uma linguagem visual única. Burton é diretor de grandes filmes como Edward Mãos de Tesoura - um homem pálido com tesouras no lugar das mãos; Batman O Retorno - um super-herói psicopata e que estava antenado no mundo da moda com sua maquiagem exuberante; A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça - a fantasia e o terror me fascinam porque este filme foi baseado em um dos contos do escritor contenporâneo Irvingno; A fantástica fábrica de chocolate - apesar de não gostar de chocolate, sou fã do Johnny Deep (que comparação); Planeta dos Macacos - no mundo primitivo eram eles que nos dominavam; Os Fantasmas Se Divertem - adoro a trilha sonora Day Banana Boat e a carinha da Winona Ryder (será que ela nessa época já era cleptomaniaca? Bisoru-suco...rs); A noiva Cadáver - uma noiva que não se dá conta de que já bateu as botas e mais uma vez o Deep é coajuvante com seu jeito acinzentado de fotografar sua imagem. Como sempre, Burton com seu jeito fértil e alucinado, trabalha neste filme sua imaginação sem perder o carinho e o afeto do desenho animado. Um dos melhores filmes do ramo, já assisti umas 10 vezes com meus sobrinhos. rs
Fiquei mais encantada ainda quando, esta semana, comprei um livrete de pequenas histórias chamado O triste fim do menino ostra & outras histórias, escrito e ilustrado por Burton, o único livro de poesia que li dele (acho que ele só escreveu esse).
O livro é composto por pequenos poemas-contos em versos onde o "pobre" menino é dedicado a contar seu triste fim (sem contar no seu triste início, o pobrezinho do menino é rejeitado pela prórpia mãe por cheirar a "oceano e alga marinha", coitadinho).
No decorrer do livro existem várias outras personagens-crianças esquisitas como: o menino robô, o menino de pregos nos olhos, a garota vudu, o melão melancólico, o menino palito, a garota fósforo...
Quase morri de cólera com tanta bizarrice. Apesar de ser infantil, é quase modo de dizer porque o livro tem cenas de violência familiar, suicídio, sexo (leve e não explícito, mas tem) e traição extraconjugal (só de lembrar morro de rir, o amante da adúltera era um microondas). rs
Estranhezas à parte, o mundo do menino ostra e sua turma é mais real do que parece. Uma história que não fazia lé com cré, com animações surreais e estupendas, sinistro e gótico. A única coisa que motiva a felicidade no fim do livro é saber que o menino Brie (um menino-queijo), encontra a amizade de um vinho.
Posso classificar este livro como macabro, engraçado ou até mesmo excêntrico, mas quem é apreciador de Burton sabe que pela originalidade, ele utiliza a sátira para criticar os valores, padrões e alienação que a sociedade constróe. As histórias de crianças diferentes, grotescas ou até mesmo deformadas que tentam se enquadrar na sociedade em que vivem, é só mais uma reflexão dos desajustes sociais que assistimos enquanto sorrimos.

"Menino Palito gostava da Garota Fósforo
Gostava era pouco
Sua figura esbelta
O deixava louco"

O caderno da vida


Eu não sei se você se recorda do seu primeiro caderno, eu me recordo do meu. Com ele eu aprendi muita coisa, foi nele que eu descobri que a experiência dos erros é tão importante quanto às experiências dos acertos. Porque vistos de um jeito certo, os erros nos preparam para nossas vitórias e conquistas futuras. Porque não há aprendizado na vida que não passe pelas experiências dos erros. O caderno é uma metáfora da vida. Quando os erros cometidos eram demais, eu me recordo, que a nossa professora nos sugeria que agente virasse a página. Era um jeito interessante de descobrir a graça que há nos recomeços. Ao virar a página, os erros cometidos deixavam de nos incomodar e a partir deles, agente seguia um pouco mais crescida. O caderno nos ensina que erros não precisam ser fontes de castigos. Erros podem ser fontes de virtudes! Na vida é a mesma coisa, o erro tem que estar à serviço do aprendizado, ele não tem que ser fonte de culpas e vergonhas. Nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grande sem que seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida. Uma coisa é agente se arrepender do que fez! Outra coisa é agente se sentir culpado. Culpas nos paralisam. Arrependimentos não! Eles nos lançam para frente, nos ajudam a corrigir os erros cometidos. Deus é semelhante ao caderno. Ele nos permite os erros pra que possamos aprender a fazer do jeito certo. Você tem errado muito? Não importa, aceite essa nova página de vida que tem nome de hoje! Recorde-se das lições do seu primeiro caderno. Quando os erros são demais, vire a página!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008



"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"
(Augusto dos Anjos)

sábado, 6 de dezembro de 2008

Cora, toca outra canção daquela!


Logro êxito quando ouço este nome "Cora Coralina". Como pode, em meio à cidade/vila onde pessoas/preconceitos viviam emoldurados, nascer uma "flor de maracujá" tão linda quanto Aninha? Se fossem destruídas todas as obras da humanidade, e sobrasse apenas "Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais", nada teria perdido.
Busquei mostrar em minha monografia, uma visão regionalística desta obra. O Regionalismo é um período literário essencial na história da nossa literatura e, ao enfatizá-lo utilizei a relação entre o homem e a sua terra de forma abrangente, fazendo uma reconstrução das crenças, costumes e tradições do povo, da goianidade de Cora. Não se trata somente de atribuir valores específicos a terra (Bairrismo), foi preciso compreender como esta renomada poetisa construiu sua poética fazendo uma baliza entre o tempo e o espaço, enfim, tudo o que se constitui como fonte objetiva do processo sócio-cultural da região, deixando o pitoresco de lado, dando ênfase nas particularidades do seu povo, sem esquecer a universalidade dos sentimentos comuns a todos os homens.
No fundo, os conflitos humanos são os objetos de trabalho de Cora, colocando em evidência a sua apaixonante cidade Natal, a Cidade de Goiás - GO. Mas ela não se limita ao mundo regional, relata também sua história, uma mulher dentro da tradição, permitindo trazer à tona a relação luta X poesia, além de revelar valores de uma cultura popular, seja ela na natureza, nas tradições locais, nos costumes, nos modismos lingüísticos, nas emoções transmitidas pelos becos, seu tão amado Rio Vermelho, monumentos históricos, retratando os fatos cotidianos em forma de poesia, um lugar comum, cheio costumes familiares, gestos, formas, figuras, cores, velhos preconceitos sociais que deixaram como legado para a escritora, um exemplo para a 'escola da vida'. Ela deixa transparecer um laço umbilical com a sua terra. Suas raízes mergulham profundamente no meio em que viveu tudo o que se constitui em fonte objetiva do processo sócio-cultural, transformando sua obra em entidade de valorização da vida do seu povo.
A importância de suas obras, crescem na medida em que permite aos seus leitores observarem histórias que a poetisa presenciou ou vivenciou, fatos essenciais para um novo entendimento, diferente do que já se tinha, enquanto filiados do senso comum. Esta vã presunção de compreender tudo que Cora escrevia, não é uma tarefa para mentes comuns.

"Cora, seus carros de boi me amolecem a alma sisuda. Suas ruas, cheias de indispensáveis becos, são convites a uma corrida na chuva julina gelada. As compotas de doce de leite e as cocadinhas suaves com cheiro de cravo ralo me enchem a boca com um gosto antigo. Quisera eu ter sido o sapo que coaxava em sua janela enquanto retocava delicadamente seus poemas, os peixinhos famintos que comiam o lodo viscoso descido de seu jirau direto nas turvas águas do rio vermelho. Mas não, tudo isso é sonho, ilusão passageira de turista acidental. Mas não tão por acaso, um dia tropecei o pensamento em um dos seus encantados cantos que me fizeram imediatamente, tomar um longo gole de saudade nunca vivida e me emocionar com as pedrinhas que corriam serelepes ladeiras abaixo quando o vento forte anunciava as enxurradas benditas. Cora, Cora, Cora, toca outra canção daquela em meu ouvido só para me tirar desse torpor. Pois ainda sinto a verticalidade apaixonante daquela dama, nossa conhecida." (Gil~~~)

domingo, 9 de novembro de 2008

"Negrofobia"



Éh, a sociedade ainda resiste à inclusão social. Sob a visão ótica do Estado, a participação política dos negros foi historicamente neutralizada, mas que veio tomando forma aos poucos pelas mãos de diversos lutadores, que defenderam infatigavelmente e não ficaram neutros contra essa intolerância.
Na literatura brasileia, Padre Vieira, um dos nossos maiores personagens em termo de política do século XVII, através da sua oratória, vestiu a camisa contra essa opressão. Gilberto Freyre na trilogia de "Casa-Grande & Senzala" (maravilhoso livro), também buscou mostrar a malvista miscigenação do povo negro.

Em suma, a violência continua a atingir majoritariamente até mesmo os que se impõe enquanto sujeito político potencializado. "Eu sei como é quando as pessoas me dizem que não posso fazer algo por causa da minha cor e eu sei o gosto amargo do orgulho negro engolido." (Barack Obama).

Primeiro negro a presidir os EUA, Barack (abençoado em árabe) Obama, homem pragmático, dotado de "inteligência e vivacidade", luta(ou) pelo reconhecimento público. Anti-republicano, foi contra as tropas iraquianas, defensor da isenção dos impostos para idosos e trabalhadores de baixa renda, subsidia o direito ao aborto e a pesquisas com celulas troncos, fundamenta-se na universalização dos direitos civis aos homosexuais...

Ele soube assimilar o diferencial de "raça" enquanto elemento constitutivo da reprodução da desigualdade e do acesso aos chamados "direitos de cidadania", que são de fundamental importância para o combate a todas as formas de racismo.

As práticas discriminatórias, são habituais nas nossas sociedades. As campanhas difamatórias contra o piloto de Formula 1 Lewis Hamilton (fã do nosso estimado Ayrton Senna), mostrou claramente a nossa "negrofobia". Hamilton foi o primeiro campeão automibilístico de Fórmula 1 negro e, aceitar que um estrangeiro, negro, ganhe o grande prêmio da GP é considerado um afronta a para os brasileiros, que o presentiaram com um gato preto. Que ousadia, será que o presentinho só foi intensionado para a má fama de trazer azar? Eu não duvidaria.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Precisamos peneirar os nossos valores. Valores precisam ser peneirados.


Creio que ele se aproveitou de uma migração de pássaros selvagens pra fugir." (Saint Exupéry)


Hoje eu criei a minha própria teoria: a leitura é a lei da natureza. Tudo que adquirimos através da leitura é transformado em pensamento que refletem de volta a nós como experiência de vida. Cada livro, revista, jornal, placa e muro que leio se matem vivo quando penso, falo e ajo e se concentram predominante no meu relicário da memória. Tiro como prova o meu livro de cabeceira: O Pequeno Príncipe de Saint Exupéry. Às vezes fico me indagando, como este maravilhoso escritor conseguiu escrever este esplêndido livro em pleno exílio no EUA, na conturbada Segunda Guerra Mundial. Como pôde escrever um livro assim, em meio a tantas aversões? Só Lispector entenderia. Aparentemente pequeno (em miniatura, comprado na feira do livro) e literalmente simples, esta renomada obra consegue mostrar o segredo do que é importante na vida. Não sei direito o que é aurora boreal, mas acho que deve ser algo lindo que se formava enquanto este livro era feito. Que lindo e emocionante. Muitas vezes nos equivocamos na avaliação das coisas e das pessoas que nos rodeiam e como esses julgamentos nos levam à mediocridade. Nos entregamos a preocupações diárias de um mundo capitalista e sufocante, tornamos adultos de forma definitiva e esquecemos a criança que fomos. Sinto a profunda mudança de valores que a leitura nos ensina.

Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.

Em meio ao quadradinho/cerrado (minha Brasília) encontrei o paraíso. Rayuela, nome que os argentinos dão à popular brincadeira infantil que, aqui no Brasil, chamamos de Amarelinha. E também título do romance mais que perfeito do escritor Julio Cortázar.
Rayuela, é o nome de uma livraria (412 sul), que mais parece um bistrô (nome francês, mais conhecido como um restaurante ou bar pequeno e simples, porém muito aconchegante). Lá encontramos relíquias e antiguidades, além de ser um lugar super charmoso, servem chás nos fins de tardes (tomei um de flores brancas, delicioso).
Achei muito bacana a proposta, na verdade é um lugar difusor da cultura da nossa cidade. No mesmo espaço está reunido literatura, música, artesanato, arte e claro, os próprios artistas (aquele chá é uma arte).
Não pude deixar de compra um livro: Pai Rico, Pai Pobre, de Robert Kiyosaki. Aos poucos estou conhecendo meus meios de produção e descobrindo o valor da inteligência financeira.

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros." (Pai Rico, Pai Pobre).

Açucar é doce, o sal é salgado!

Hoje discuti comigo mesma sobre os conflitos morais e culturais dentro da perspectiva da minha imaginação. Escutando uma música da Paula Toller "Oito anos" (feita em homenagem ao seu filho Gabriel), senti-me o próprio Gabriel: Onde é a Casa da Mãe Joana? Quem é Zé Ninguém? Quando é o dia de São Nunca? Quem roubou pão na casa do João? Alguém já achou as botas de Judas? Onde come um também comem mil?...
O que me inibi? Preciso desinibir!
Não sei da onde vieram tantas perguntas (in) úteis. Na verdade, sei sim. Desde criança eu fazia os meus próprios presságios, acho que já sabia que seria confusa em meio a tantas perguntas no "Fantástico Mundo das Cíntia's".
Ainda hoje tenho as mesmas manias de infância e outras novas, claro. Dormi passando a unha na boca, comer creme dental Tandy, assistir os episódios do Chaves em Acapulco (o melhor episódio da turma do chaves), ter medo da Gina (aquela mulher sorridente da embalagem de palito de dente), pinta a cara de azul para ser um smurf (não perdia um capítulo).
Manis novas, assistir "Todo Mundo Odeia o Cris" e rir, ser consumista, fã e dependente química do milk shake de Ovomaltine (Bob's), comprar um livro por mês, apreciadora da batata frita PRINGLES, ou de um simples suco de melancia com limão do Marieta. Querer comprar toda nova coleção da Melissa. Ou talvez deliciar a melhor batata frita de Brasília, ou o famoso cebolão no Outback. Beber Coca-Cola da garrafa de vidro (não tem igual) ouvindo mil vezes a mesma música (de Paulinho Mosca à Amy Winehouse), molhar a bolacha no leite. Ou simplesmente ficar olhando uma das fotografias de Sebastião Salgado (o cara) do lado esquerdo do meu aconchego noturno, até cair no sono escutando como trilha sonora a rádio Mega FM (no túnel do tempo).
Na verdade eu sei sempre quis ter uma casa na árvore. Nunca tive uma, talvez esse seja o motivo de tantas indagações. Estou perdendo meu lado efusivo de sorrir demais, abraças demais, conversar demais, detalhar demais, perguntar demais. Acho que tudo isso soava falsidade.
Confesso que hoje estou meio "grog". Sabe quando te dá vontade de fazer sei lá o quê? Então vamos sair? Pra onde? Não sei!
Só queria está na praia agora.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

"Chafurdem na lama! Pois este é o ofício de suínos bem cevados."


Thank you, obrigado, danke...”, disse José Padilha emocionado ao receber o prêmio de melhor filme de 2007 (Tropa de Elite), no Festival de Berlim. “Esse prêmio não é para mim, é para o cinema brasileiro.
Muito obrigada Padilha, a gente agradece!
O cinema possui cada vez mais uma capacidade de gerar debates na sociedade, abordando a realidade social gritante, que dá ao espectador a chance de pensar criticamente.
A princípio quando assisti ao filme (Tropa de Elite) tive uma impressão de está vendo o Mussolini como roteirista no lugar do Zé Padilha, um tanto fascista, exaltando o Estado com as modernas técnicas de propaganda.
"Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado" (Benito Mussolini em um discurso proferido na Câmara dos Deputados, 1927).

Mas essa minha vida austera, fez-me admitir que o documentário "sou eu" disfarçada de "você", mostrando a nossa realidade: violência urbana, corrupção policial, em geral a dissonância (desarmônia) do "Estado".
Por incrível que pareça muitas pessoas acham que violência se combate com violência. Estes dias visitando algumas comunidades no Orkut, vi que alguns membros possuem empatia com o Capitão Nascimento (Tropa de elite). Há em média 240 mil pessoas fazendo parte da comunidade "Capitão Nascimento é o cara", um homem que mata e tortura.
Eu também faço parte desta "comunidade", mesmo não tendo Orkut. Mas não pelas mesmas causas dos 240 mil membros. Tenha a minha própria leitura. A interpretação de qualquer filme depende de quem está interpretando, (in) felismente!

Outro documentário do Padilha que adimiro foi o Ônibus 174, aquele que por erro um policial atingiu o "alvo" errado (uma refém grávida de 4 meses). Mas quem era o alvo certo? O Sandro Rosa do Nascimento o seqüestrador do ônibus? Quem sabe o que se passava na cabeça do "preparado para matar" naquela hora.
Capitão Nascimento X Sandro Nascimento, será proposital? Duas faces da mesma moeda.
Um policial que deu errado no Bope, suas angustias (abafamento, insegurança, falta de humor, ressentimento, dor e ferida na alma) e síndrome de "não" saber lhe dá com a violência. Do outro lado, um morador de rua, órfão de pai, mãe, educação, carinho, morto asfixiado em rede mundial.
Cada vez que paro no sinal de trânsito vejo vários "Sandros", vejo aquele clima de tragédia desenhada em minha frente. Qual será o próximo "Nascimento" (codinome)? Personagens o Zé Padilha já tem, o trio amoroso do ABC Paulista (ex-namorado mata ex-namorada e fere amiga da namorada) e o nome do filme baseio que seja: O retorno da refém ao cativeiro.
"Cabeças" e "virilhas" vão rolar, só não sambemos quem foi o atirador de "elite" dessa vez ou/e quem a mídia vai incriminar como culpado, o homem que mata por "amor" (novas concepções desse grande sentimento) ou a policial inspirada nos filmes (falidos) americanizados da SWAT.

Vamos promover uma campanha utilizando o Programa do Faustão (horário nobre onde todos comem 'pizza'), um debate sobre questões públicas. A mesa será composta por jornalistas, cineastas, engraxates, açougueiros, vendedores ambulantes, políticos, mendigos, poetas e "Nascimentos" quem sabe assim paramos de chafurdar na lama da hipocrisia. "Vamos promover o Estado, a copa de 2014. A educação, segurança e saúde a gente vê isso depois."

Etimologia: Austero (do latim austeru); Dissonante (do latim dissonus); Bope (Batalhão de operações Quase Especiais); SWAT (Special Weapons And Tactics - Armas e Táticas Especiais).

"Se não houver frutos. Valeu a beleza das flores. Se não houver flores. Valeu a sombra das folhas. Se não houver folhas. Valeu a intenção da semente"
HENFIL, do livro Diretas Já

domingo, 19 de outubro de 2008

De onde vêm os vendedores de guarda-chuva?


Hoje a chuva me pegou, meu cabelo encolheu, fiquei toda molhada, lancei uma corridinha e consegui chegar até a lanchonete. Pedi um suco, na verdade eu queria um melancia com limão (o meu suco predileto, mas tomei um tal de X-tapa, e plaft, um "tapa" bem certeiro no meu frágil estômago (não gosto de tomar sucos industrializados).
Várias pessoas foram parando para se proteger dos inesperados pingos diante do sol/chuva!
Que clima mais louco. A culpa é de quem? Tadinho do aquecimento global, sempre o julgam como vilão.
Sentindo o cheiro de asfalto quente recebendo chuva fresca, o inusitado bateu no relicário da minha memória e me indaguei a uma grande curiosidade minha (meus questionamentos inúteis), DE ONDE VÊM OS VENDEDORES DE GUARDA-CHUVA?
Do nada, lá estão eles, anunciando: Quarda-chuva moça, tem coloridos, de bolinhas, de bichinho, amarelinhos e quadriculados... E o preço, sempre acessível (R$ 5,00, R$ 10,00 e R$ 15,00). E de fato, eu nunca comprei um guarda-chuva, todos que já tive foram ganhados, principalmente em confraternizações da empresa.
Sai da lanchonete encantada com as gotículas refrescantes/sufocante vindas da imensidão do céu ultra-refletindo a imagem dos vendedores, quase esqueci de pagar o suco. Pensei "quer saber, vou levar um... é minha oportunidade de compra o meu próprio guarda-chuva, mesmo que seja naquele estilo ventou/dobrou.
E disse ao vendedor que queria um: aquele ali, mais discreto, branco com bolinhas pretas.
Mas quando ia pagá-lo, algo cegou meus olhos míopes e astigmatizados. O sol chegou e cancelou aquele momento de longas negociações. Na verdade, estes vendedores vêem o sol como um policial/fiscal que vem recolher suas "muamba" clandestinas. O sol fez com que ele me olhasse com uma carinha de "cão que caiu da mudança". Comprei sem pedir desconto, sob o efeito de usa-lo como guarda-sol, só para o "camarada" não ficar tristinho.
É, eu já posso dizer que tenho meu próprio guarda-chuva.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Pequenos Prazeres Secretos



"Por vezes sinto-me tão revoltado com o estado do mundo que nem sequer consigo acabar a segunda tarte de maçã." (by Banksy)


As pessoas que comandam nossas cidades não entendem o grafite, pois acham que nada tem o direito de existir a não ser que eles lucrem com isso. Eles dizem que é um símbolo do declínio da sociedade, mas o grafite só é um perigo para três tipos de pessoas: políticos, publicitários e pessoas que escrevem sobre o grafite.


Palavras-chave: Infecção intestinal; Salmonela; Soro intravenoso.

Linguagem gritante diante dos meus olhos



Ontem depois do trabalho, resolvi parar em uma livraria (Conjunto Nacional). Na verdade eu já sabia o que queria: o livro do Banksy, “Wall and Piece”, que custa R$ 25,90.
Logo na abertura, "orelha" (abas) ele diz o seguinte:
“Apesar do que dizem o grafite não é o jeito mais baixo de se fazer arte. É na verdade uma das mais honestas formas de expressão artística. Não há elitismo ou hype, a obra é exibida nas melhores paredes que uma cidade tem para oferecer e todos podem apreciar, já que nenhum centavo é cobrado.”

Com uma esplêndida sagacidade Banksy, grafita a minha expressão artística, utilizando a linguagem visual para manter sua poesia de protesto.
É o meu predileto e provocativo artista de rua (normalmente em espaço público) que se popularizou no meu ser. Tudo bem de longe da cultura de massa. Um rebelde com causas que causa a heterogeneidades sociais, étnicas, etárias, sexuais ou psicológicas de quem aprecia seu trabalho.
Sua arte urbana se baseia em cunho crítico, sociais, comportamentais e políticos, na verdade ele busca mostrar sua aversão contra "autoridade" e "poder".
(In) felizmente ele ganhou minha concordância e minha identidade, meus risos espontâneos, involuntários, agressivos e sarcásticos diante das mazelas da nossa "sociedade".

"Meus pais: Eles pensam que sou um decorador e pintor." (by Banksy)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

"Soft Opening"

Admito que neste primeiro post, ainda não sei muito bem como vou utilizar esse espaço, não tenho idéia de quem irá se interessar em ler meus textos, muito menos a repercussão que irá fazer. Esse blog é minha forma de expressar o que penso e o que penso já basta para mim.

Para vocês, “leitores-passivos".

Palavras-chave: Idéia; Realização; Realidade; Esperança.